Kove, rival de CFMOTO e Voge, cria perfil oficial no Brasil e antecipa sua chegada
Por Redação MotoMania BR

A Kove, fabricante chinesa de motocicletas, deu o primeiro passo público rumo ao mercado brasileiro: a marca criou um perfil oficial no Instagram, o @kove.brasil.oficial, movimento que costuma anteceder o anúncio formal de uma nova operação no país. Por enquanto, não há informações sobre estrutura de importação, rede de concessionárias, datas de lançamento, modelos confirmados, preços ou uma eventual produção local — apenas a sinalização de que o desembarque está sendo preparado.
Fundada em 2017 e com sede em Chongqing, na China, a Kove emprega mais de mil funcionários, cerca de 30% deles em funções técnicas, e se apresenta como uma fabricante de perfil premium dentro do universo das marcas chinesas. Segundo a empresa, ela ocupa a quinta posição entre as fabricantes chinesas no segmento de motos com motores de 250 cm³ para cima, com capacidade de produção anual superior a 100 mil unidades nas categorias de média e grande cilindrada e mais de 100 pontos de distribuição espalhados por dezenas de países.
No Brasil, a Kove entra em um segmento cada vez mais concorrido, no qual as fabricantes chinesas vêm ganhando espaço rápido. A marca disputará clientes diretamente com nomes como CFMOTO, Voge e QJ Motor — todas já estabelecidas ou em processo de consolidação no país —, apostando em um posicionamento de produto mais sofisticado para se diferenciar das concorrentes.
O portfólio global da Kove é amplo e cobre várias categorias: adventures (800X e 625X), esportivas carenadas (450RR e 350RR), naked de entrada (NK 125R), modelos off-road, a custom 625V e a 450 Rally, moto de rali que se tornou uma espécie de cartão de visitas da marca por causa das participações no Rally Dakar. Ainda não se sabe quais desses modelos seriam prioridade para o mercado brasileiro, mas as fichas técnicas divulgadas pela Kove na Europa já dão uma boa ideia do que a marca tem a oferecer.

A 800X GT é a maior da linha. Usa um bicilíndrico paralelo de 799 cm³ com virabrequim a 270°, DOHC e oito válvulas, que rende 94,5 cv (69,5 kW) a 9.000 rpm e 79 Nm a 7.500 rpm, com velocidade máxima de 210 km/h. O peso seco fica em torno de 173 a 182 kg (195 kg abastecida), o tanque leva 22 litros e o entre-eixos é de 1.520 mm, com altura do assento de 826 mm e 235 mm de vão livre. A suspensão é KYB totalmente ajustável, com 210 mm de curso nas duas pontas, rodas raiadas tubeless e freios com discos ondulados e pinças Taisko, além de ABS com função em curva. A parte eletrônica traz acelerador ride-by-wire, controle de tração Bosch desligável, cinco modos de pilotagem, piloto automático (40 a 130 km/h), TPMS, painel TFT de 7 polegadas na vertical, manoplas e banco aquecidos, protetor de motor em alumínio e barras de proteção.
A 625X Pro é a adventure de porte médio e a moto escolhida para a capa desta reportagem. O motor é um bicilíndrico paralelo de 581 cm³ com virabrequim a 270°, DOHC e oito válvulas, injeção Bosch e 62,5 cv (46 kW), com versão restrita para A2 de 54,5 cv. O torque máximo é de 56,5 Nm. A moto tem 200 kg secos e 221 kg em ordem de marcha, assento a 820 mm do chão, 235 mm de vão livre, tanque de 21 litros e autonomia anunciada acima de 500 km. A suspensão é Kayaba totalmente ajustável (garfo invertido de 43 mm com 185 mm de curso e monoamortecedor piggyback com 273 mm), com pneus Pirelli Scorpion Rally STR, TPMS, ABS de três modos desligável e controle de tração. O pacote inclui painel TFT sensível ao toque de 6,75 polegadas, chave presencial, alertas de ponto cego (BSD/LCA/RCW), manoplas aquecidas, iluminação full LED e para-brisa ajustável em três posições.

A 450RR é a esportiva carenada de maior cilindrada da marca e uma das poucas da categoria com motor de quatro cilindros em linha. São 443 cm³, DOHC, com 66,6 cv (49 kW) e 38 Nm a 11.000 rpm, injeção Bosch, embreagem multidisco com sistema antiempinamento e câmbio de seis marchas com modos Sport e Eco. O peso seco é de apenas 150 kg (165 kg abastecida), com assento a 795 mm e tanque de 15 litros. A suspensão Kayaba é totalmente ajustável nas duas pontas (monoamortecedor com reservatório de gás separado), e o equipamento inclui quickshifter, amortecedor de direção Taisko, painel TFT de 5 polegadas com espelhamento do celular, launch control e iluminação full LED. A frenagem usa o sistema SAFE SF11 com ABS de duplo canal desligável em três modos.

A 350RR ocupa a faixa intermediária da linha esportiva. O motor é um bicilíndrico em linha de 344 cm³, DOHC e refrigeração líquida, com 47 cv a 11.500 rpm e 32 Nm a 9.000 rpm, homologado para a categoria A2. O peso em ordem de marcha é de 164 kg, o assento fica a 790 mm e o tanque leva 15 litros. A suspensão traz garfo invertido de 37 mm com 125 mm de curso e monoamortecedor com regulagem de pré-carga. Os freios são de 320 mm na dianteira e 220 mm na traseira, com pinças flutuantes Taisko, ABS desligável e controle de tração independente. O painel é um TFT de 7 polegadas com espelhamento de smartphone e há launch control de série.

Na cilindrada de entrada, a NK 125R é uma naked de 125 cm³, monocilíndrica, quatro tempos, DOHC de quatro válvulas, com 14 cv e câmbio de seis marchas. Chama a atenção pela balança traseira monobraço, incomum nessa faixa, além do chassi tubular de aço em treliça, garfo invertido de 41 mm e monoamortecedor com ajuste de pré-carga. O peso em ordem de marcha é de 135 kg, o assento fica a 820 mm, o entre-eixos é de 1.370 mm e o tanque leva 13 litros. Mesmo sendo a moto de entrada, traz ABS de duplo canal desligável em três modos, painel LCD colorido de 5 polegadas, iluminação full LED e porta USB.

A estratégia de abrir um perfil oficial antes de qualquer comunicado segue o roteiro visto recentemente com outras chinesas que chegaram ao Brasil, usando as redes sociais para medir o interesse do público e construir audiência enquanto os bastidores de homologação, importação e rede de vendas são acertados. Vale lembrar que fichas técnicas e itens de série podem variar entre a versão europeia e a que eventualmente for homologada no Brasil. Resta aguardar os próximos posts da Kove para saber quando, como e com quais motos a marca pretende entrar de fato na disputa.
